Eco

Ela encontra alguém diferente, que a faz pensar nos sinais do universo e na sincronicidade de atrair fora o que se está dentro, mas deixa passar…

Fica pensando o dia todo no que ele a fez sentir, troca ligações e mensagens, mas deixa passar…

Recebe curtidas e comentários em todos os seus posts, sente uma profunda conexão de alma, mas novamente deixa passar…

Então se tornam expectadores, quase que uma paisagem, não existe mais interação, apenas vão desaparecendo, como um navio que fica cada vez menor ao olhar no horizonte.

Já não sabem mais dizer o que aconteceu, fica apenas um eco no escuro esmagando o peito, uma pessoa que se foi, sem dar pistas e nem deixar rastros. Apenas deixaram passar…

Quando foi que aprendemos a deixar passar o que é essencial?

Quem vai ser o primeiro a dizer “eu te amo”?

O dano que o medo provoca pode ser maior do que o risco de viver o essencial!

Será?

Árvore de Natal

Foram 2 semanas pedindo para montar a árvore de Natal, mas confesso que não estava muito empolgada e por isso vinha procrastinando!

Até que um dia ele acordou e me disse: “mamãe, você prometeu que ontem a noite a gente ia montar e não montamos!”.

Eu já estava até preparada psicologicamente para isso, porém ele dormiu enquanto eu tomava banho!

Na noite seguinte sacudi a preguiça e me empenhei em tirar os enfeites do maleiro e mãos à obra!

Fiquei surpresa com o protagonismo que teve em montar a árvore pela primeira vez sozinho, estava tão empolgado e feliz, que na mesma hora me arrependi por ter demorado tanto!

Enquanto fazia força para controlar o perfeccionismo, observava duas bolas sendo colocadas no mesmo galho, a estrela no meio da árvore e não no topo e os enfeites em forma de presente sendo desembrulhados para ver como eram por dentro.

A velha bola de Natal que eu mesma confeccionei com a foto da “família feliz”, quando ele tinha apenas 2 meses estava lá, todo ano ele faz questão dela pendurada e foi a primeira vez depois da separação que não me importei com isso! Estava tudo tão leve!

Eu nunca fui de montar árvore de Natal, esta tradição nasceu junto com ele e mais uma vez o agradeço por isso!

A árvore simboliza a família e não importa que lá esteja a foto de uma pessoa que não faz mais parte de mim, mas dele e fico feliz por se sentir livre para expressar o que é importante para ele.

Por muito tempo eu vivi sonhando em ter meus pais juntos de novo em casa, presa na ideologia da “família feliz”. Talvez uma bola de Natal como esta fosse o suficiente!

Filhos nos convidam a olhar e curar nossa criança interior!

A cada dia tenho mais a certeza de que tenho muito para aprender e pouco a ensinar com este ser que me obrigada a evoluir constantemente!

Corrida

A corrida chegou aos poucos para mim, começou quando bati 72 kg, há uns 10 anos atrás, um marco em minha existência.

Confesso que foi um período de muitas mudanças e conflitos em minha vida, que me gerou extrema ansiedade a ponto de precisar de medicamentos para controlar toda a situação.

Hoje correndo 5 km todos os dias, há 2 meses consecutivos às 5:30 hs da manhã, considero ter conseguido outro marco, mas desta vez o inverso do primeiro e não é sobre me manter com 10 kg a menos, e sim sobre ser dona de mim. É sobre depois de ter perdido meu pai, sabendo que não tinha ninguém para segurar sua mão e me tornar mãe solo no mesmo mês, levantar para levar meu filho na escola e assim encontrar um motivo para sobreviver.

Antes, eu queria a todo tempo agradar o outro para ser amada, pois estava cansada de ser abandonada, porém o maior abandono era o meu para comigo mesma e aceitar que ninguém tinha culpa disso foi doloroso, mas altamente construtivo!

A corrida sempre me salvou nos momentos de loucura, talvez uma forma de fugir com o meu animal interno para longe, pois é o momento que me conecto a ele! Quando estamos juntos, correndo, me sinto viva e dona de mim, controlo o ritmo sem precisar acompanhar ninguém, dito as regras, hora eu acelero, hora diminuo, às vezes caminho e não preciso justificar nada para ninguém, apenas me respeito e sigo!

Ah o autorespeito, talvez seja esse o ponto central, o que equilibra tudo! A corrida me faz olhar para mim como sou, e me aceitar com todas as limitações que mudam a cada dia! É um contínuo movimento de autoaceitação!

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Presentes!

“Mamãe, eu não gosto de você… (suspense)… eu te amo”;

“Mamãe eu não gostei do seu vestido novo… eu amei”;

“Normalmente, minha mãe é criativa”;

“Sabe o que é onívoro? É que come de tudo”;

“Sabia que a chuva vem de quando está muito calor e evapora a água?”;

“Mamãe você me disse que não existe porque sim e nem porque não, responde então!”;

“Você é minha preciosa”;

“Vovó, você precisa tomar muita água”…

Essas são as falas dele que tem me feito pensar no quanto estou ficando velha, rs!

Um misto de alegria e dor, por saber que meu menino amadureceu, não pede mais meu colo e nem liga tanto quando não estou por perto!

Penso que esse seja o meu objetivo enquanto mãe, educar para voar sozinho e encontrar o seu caminho. Esse sempre foi meu sonho e como é mágico poder acompanhar o processo de construção de um ser humano que se ama tanto! Jamais pensei que fosse tudo isso! Como se arrancasse diariamente um pedaço de mim e ainda assim eu tivesse a capacidade de amar ainda mais este ser que me esvazia e nunca me deixa vazia!

É justamente aí que Deus fica mais e mais forte para mim, uma fonte inesgotável que me capacita a ser melhor todo dia, me enchendo de amor e paciência para educar mesmo sem forças muitas vezes. “Olho para os montes e pergunto: “De onde virá o meu socorro?” O meu socorro vem do SENHOR Deus, que fez o céu e a terra” (Salmos 121:1-2).

Eu nunca fui religiosa, sempre acreditei em Deus, mas nada comparado como depois de ter tido filho! A sensação de uma parte das suas entranhas estar fora de você é surreal e assustador! É conviver com a alegria, mas também com a sombra de que algo possa acontecer de ruim com um ser tão ingênuo e vulnerável! É onde a fé se fortalece, porque nada podemos fazer nesse mundão que tanto ameaça a todos! Sem contar no medo de morrer e não ver meu filho crescer, ou pior, deixar ele para outra pessoa criar!

Neura? Com certeza, mas ser mãe também é aprender na marra a conviver com as sombras até virar amiga e negociar uma trégua às vezes! E nestas pausas de calmaria, é lindo observar as novas frases que ele me presenteia como resultado do que foi ensinado até o momento!

“Mamãe você é muito graciosa e adorável, eu te amo mais do que tudo!”

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Se eu pudesse fazer um pedido, seria para continuar sentindo o cheiro do seu cabelo a vida inteira, eu sei que preciso deixar você crescer, e vou! Mas o cheiro do cabelo eu queria guardar em um potinho para sempre, o cheiro que me transporta para dentro do útero, para o ninho, onde ninguém pode ferir, que é protegido e transborda amor incondicional!

Sei que o amor é livre, não se pode guardar em potinhos, nem vou, quero apenas o seu cheiro e te ver livre para amar e ser amado.

Se eu pudesse fazer outro pedido, seria para você ter sempre a sua felicidade em primeiro lugar, antes mesmo de pensar no que vai fazer da vida, que busque ser, acima de tudo, uma pessoa feliz!

Eu estarei aqui, para te ouvir, guiar, pegar no colo, aplaudir, chorar, amar, deixar ir e aceitar você do jeito que escolher ser!

Voa meu filho e busque o que te faz feliz! Parabéns e saúde sempre! Somos parceiros nessa aventura que é a vida!

Te amo infinitamente!

No banco da Lagoa

Após a corridas hoje, fui atraída por uma música que já sabia quem tocava, sempre quando ele estava lá, ficava apreciando, era difícil conseguir ir embora! A música conversa com a minha alma, me leva para outra dimensão!

Várias pessoas vindo, tiravam fotos, filmavam, ficavam um pouco e depois seguiam seus caminhos, eu apenas observava e permanecia aguardando a próxima música!

Chegou um homem que me fez lembrar meu pai, com uma linda senhora e pediu uma música para ela, logo soube seu nome, o mesmo da música oferecida “Laura”. Uma senhora que transmite paz, com seus 96 anos, toma apenas um medicamento leve para controlar a pressão, toca teclado, toma cerveja preta, vinho, carne de porco, faz natação, gosta de ficar sozinha e fazer caça palavras. Logo descobri que estava com seu filho Alexandre e me ofereci para filmá-los nesse momento lindo de pura arte e emoção.

Alexandre conhecia o artista, seu João, um homem simples, de muita fé, resiliência e arte! Alexandre, que também é músico, fez questão de mostrar sua admiração me dizendo que Seu João era conhecido no mundo da música.

Após a música da Dona Laura, Alexandre sugeriu que seu João tocasse uma para mim, para que assim pudesse nos filmar também, como um gesto de agradecimento.

Seu João logo concordou e me perguntou: “Como começa aquela música mesmo? Como é grande o meu amor por você?

Eu como uma boa cantora logo comecei a cantarolar, rs. João e dona Laura se alegraram, ela também gostava da música!

Eu não podia acreditar, acabara de ver meu pai, falecido há 2 anos de leucemia, chegando para me ver, trazendo sua mãe de 96 anos saudável, que quer chegar aos 100 do mesmo jeito, assim como eu, pedindo para João, que tem um filho que está lutando contra a leucemia, me oferecer a música que cantava para meu pai!

Uau!

Estou sem fôlego até agora! Entendedores entenderão!

Me emocionei muito, claro, então nos despedimos daquela “constelação” e saí para comprar comprar 2 pastéis de carne para João, conforme solicitado!

Não acaba por aí…

Na fila do pastel encontro pela primeira vez, meu filho com o pai, a namorada do pai, o filho da namorada e o pai da namorada!

Uau!

Acabara de ver a família feliz, aquela que precisei desconstruir com muita dor, passando diante dos meus olhos e eu tendo que dar tchau para meu filho ir junto deles.

Ainda estou acomodando tudo isso dentro de mim, mas sei que hoje foi um dia mágico e ainda nem acabou!

Ainda não sei como processar todas as informações que chegaram para mim, mas a felicidade que senti naquele banco da Lagoa jamais sairá do meu coração!

Universo, como pode melhorar?

Mãe poste!

A primavera chegou trazendo saltos avassaladores de crescimento emocional!

Recentemente voltei com a rotina de trabalho fora de casa e Samuca continuou em casa com a minha mãe, já que as escolas ainda não retornaram às atividades presenciais.

Ele cresceu, não quer mais saber de mim, agora sou figurante na vida dele , virou menino de rua, rs.
Desde as 15 hs na rua de dentro do condomínio de casa, cheguei no final do dia apenas para trocar o turno com a minha mãe e ele nem notou, mas fiz questão de ir até ele dar um beijo.


Penso que esse deva ser o objetivo de toda mãe que queira criar um filho independente emocionalmente, mas confesso ser um tanto desafiador.


Olhando para ele, noto que estou disfarçada de poste, sentada no banco, chupando o sorvete de uva que ele largou e rio de mim mesma.

A ficha cai e me pergunto, como posso ser cada vez mais essencial para mim enquanto me torno cada vez mais dispensável para ele?

Em minha meditação de hoje fiz uma oração para uma pessoa muito querida que está passando por momentos difíceis. Gosto de fazer isso na natureza logo após as corridas matinais, é meu momento de conexão!

Hoje foi especial, pois ao me emocionar, olhei para o céu, eis que a resposta estava bem na minha frente, tão solitária e ao mesmo tempo radiante. Nascendo depois de um período longo e profundo de queda e seca, tomando conta de toda a paisagem, eu não conseguia olhar para mais nada. Eu vi força, milagre e inspiração!

As pessoas são assim, renascem muitas vezes de um galho seco que julgamos não ter mais vida, e eu fui prova disso, muitos passam por ela e não se dão conta, mas eu a vi, e entendi o que Deus me falou, tudo já está feito, e seus milagres estão em toda a parte, mais uma vez me pediu para acreditar que está cuidando de tudo! EU CREIO! Sinto muito, por favor me perdoe, eu te amo, eu sou grata!

Ser vulnerável!

No final de semana assisti uma pesquisa de Brené Brown, “The call To Courage” no Netflix, que me fez refletir até agora sobre o tema vulnerabilidade e coragem!

Ser vulnerável é deixar a vida entrar pelos poros e fluir como o rio, que vai levando e se deixando levar;

é dizer primeiro “eu te amo”;

receber a ligação do médico;

chorar na frente do filho;

ser desligado da empresa;

enterrar alguém que ama;

ter os dias contados;

ser o último a chegar;

olhar nos olhos e permanecer em silêncio;

dizer o quanto foi tocado por alguém;

se expor;

mostrar suas fragilidades, mesmo que alguém que ame use isso contra você em algum momento da vida;


ter a coragem de deixar a vida entrar e levar o que não serve mais, trazendo as inspirações que precisamos para continuar amando!

Ser vulnerável nos aproxima do outro, pois quando nos deixamos ver, somos capazes de enxergar o outro como um ser divino que anseia por amor, assim como nós!

Em momentos tortuosos, Deus nos envia pessoas em forma de anjos, para nos mostrar do que o amor é capaz!

Demorei exatos 39 anos para construir o que agradeço todos os dias hoje! São pessoas que estão comigo independente da distância, a energia chega, vibra e consigo me emocionar em pensar em qualquer um dos 4. Sim somos 5, na mesma frequência do amor! Aquele sentimento que qualquer coisa que eu faça, terá a torcida para que dê certo!

A reciprocidade é uma reposta divina que vem em forma de vento, beijando a pele, lambendo os cabelos e cheirando paz!

Me sinto como um barquinho em alto mar, me deixando levar para o melhor caminho, posso ser transportada a qualquer momento para outra dimensão, não sei mais qual, não importa, apenas confio e deixo ir…

Quanto mais entrego, menos sei, isso é novo para mim, talvez seja a nova idade que se aproxima, ou a sensação de se encontrar no que não se nomeia, ou apenas uma questão filosófica, eu procuro e não encontro as palavras! Apenas sinto a leveza do não ser!

As pessoas chegam até mim como presentes, eu vivo como criança que sabe que vai ganhar o presente do Papai Noel, mas não sabe que dia! Acordo todos os dias atenta aos sinais da divindade, porque sei que chegará, mas não sei qual o exato momento e isso me extasia!

Esta foto é muito mais do que parece, ela tem a força da amizade, diz o quanto dói a despedida e o valor das nossas escolhas!

Acima de tudo… a certeza de que nada abala o que foi construído com genuíno amor!